seg. jul 22nd, 2019

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O Poder Dos Quietos

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Os psicólogos geralmente oferecem três explicações para o fracasso do brainstorming em grupo. A primeira é o ócio social: alguns indivíduos relaxam e deixam os outros fazerem o trabalho. O segundo é o bloqueio produtivo: só uma pessoa pode falar ou produzir uma ideia por vez, enquanto os outros membros do grupo são forçados a permanecer passivos. E a terceira é a apreensão avaliativa, que significa o medo de parecer burro na frente dos colegas.

O surgimento do “companheiro poderoso e simpático” Como a extroversão tornou-se o ideal cultural Olhos de estranhos, aguçados e críticos. Você consegue encará-los com orgulho — confiante —, sem medo? — Propaganda do sabonete Woodbury (1922) A data: 1902. O local: Igreja Harmony, estado norte-americano do Missouri, uma cidadezinha que mal se vê no mapa localizada em uma planície de inundação a cerca de 160 quilômetros de Kansas City. Nosso jovem protagonista: um estudante de ensino médio de bom coração, mas inseguro, chamado Dale. Magrelo, nada atlético e rabugento, Dale é filho de um dono de fazenda de porcos de altos padrões morais, mas eternamente falido. Ele respeita seus pais, porém teme seguir seus passos marcados pela pobreza. Dale também se preocupa com outras coisas: raios e trovões, ir para o inferno e ficar calado em momentos cruciais. Ele teme até o dia de seu casamento: e se ele não conseguir pensar em nada para dizer à sua futura esposa? Um dia, um orador do movimento Chautauqua chega à cidade. Esse movimento nasceu em 1873, baseado no estado de Nova York, e mandava oradores pelo país, falando sobre literatura, ciência e religião. Os camponeses norte-americanos apreciam esses indivíduos pelo toque de glamour que trazem do mundo exterior — e seu poder de impressionar o público. Esse orador em particular cativa o jovem Dale com seu próprio conto do pobre que fica rico: um dia ele fora um humilde garoto do campo com um futuro insosso, mas desenvolvera uma forma carismática de falar e subira no palco com os Chautauqua. Dale ouve atentamente cada uma de suas palavras. Alguns anos depois, Dale fica novamente impressionado com o poder de falar em público. Sua família se muda para uma fazenda a cinco quilômetros de Warrensburg, no Missouri, para que ele possa cursar a faculdade sem pagar alojamento e comida. Dale observa que os estudantes que vencem os concursos de debates são vistos como líderes e decide ser um deles. Ele se inscreve em todos os concursos e corre para casa a fim de praticar. Repetidamente, ele perde; Dale é obstinado, mas não é um orador muito bom. No entanto, finalmente seus esforços são recompensados. Ele se transforma em um campeão do discurso e um herói do campus. Outros alunos dirigem-se a ele para lições de discurso; ele os treina e eles também começam a vencer. Quando Dale deixa a faculdade, em 1908, seus pais ainda são pobres, mas os negócios nos Estados Unidos estão se expandindo. Henry Ford está vendendo seus Modelos T como pãezinhos quentes, utilizando o slogan “Para os negócios e para o prazer”. J.C. Penney, Woolworth e Sears Roebuck tornam-se nomes familiares. A eletricidade ilumina as casas de classe média; encanamentos internos poupam viagens noturnas aos banheiros exteriores. A nova economia pede um novo tipo de homem — um vendedor, um operador social, alguém de sorriso fácil, um aperto de mão imponente e a capacidade de se dar bem com os colegas ao mesmo tempo em que os eclipsa. Dale juntou-se às inchadas fileiras de vendedores, caindo na estrada com poucas posses além de sua língua afiada. O sobrenome de Dale é Carnegie (na verdade, Carnagey; ele mudou a grafia depois, provavelmente para evocar Andrew, o grande industrial). Após alguns duros anos vendendo carne para a Armour and Company, ele passa a dar aulas de como falar em público. Carnegie dá sua primeira aula na escola noturna da Associação Cristã de Moços, na 125th Street, na cidade de Nova York. Ele pede 2 dólares por sessão, que é o salário usual dos professores de escolas noturnas. O diretor da associação, duvidando que uma aula como essa vá atrair muito interesse, recusa-se a pagar esse valor. Mas a aula é um sucesso imediato e Dale segue para formar o Dale Carnegie Institute, dedicado a ajudar homens de negócios a se desfazer das inseguranças que o dominaram quando jovem. Em 1913 ele publica seu primeiro livro: Como falar em público e influenciar pessoas no mundo dos negócios. “No tempo em que pianos e banheiros eram luxo”, escreveu Carnegie, “os homens viam a habilidade de falar como um dom peculiar, necessário apenas a advogados, clérigos e políticos. Hoje percebemos que essa é uma arma indispensável para aqueles que avançam na dura competição dos negócios”.

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